terça-feira, 14 de junho de 2016

REFLEXÃO SOBRE A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Os alunos que não acompanham as expectativas de aprendizagem de seu ano de escolarização são motivo de muita preocupação por parte das escolas, dos professores e das famílias. Este fato gera questionamentos sobre que encaminhamentos fazer, o que é possível cobrar da família, o que se pode exigir do próprio aluno, quais as causas dos problemas apresentados.

DESENVOLVIMENTO
A dificuldade de aprendizagem pode não apresentar distúrbios neurobiológicos, isto quer dizer que os problemas apresentados apenas relacionados a dificuldade de aprendizagem têm caráter provisório e suas causas podem ser localizadas em diferentes dimensões do processo de aprendizagem do indivíduo. Consideramos que estas dimensões são: a) social; b) pedagógica; c) psico-afetiva; d) psico-cognitiva; e) orgânica. A dimensão social perpassa todas as demais, que, por sua vez, apresentam pontos de interseção (WEISS& CRUZ, 2011). Sendo assim, a dificuldade de aprendizagem deve ser vista sempre na perspectiva da pluricausalidade (WEISS, 2009), ainda que, em uma avaliação psicopedagógica realizada pelo profissional competente, seja possível identificar algumas causas principais dentre uma série de fatores que consistem em obstáculos ao processo de aprendizagem. 

1.    O interesse do aluno
Segundo Fernández (1991), o pensamento é como uma trama na qual a inteligência seria o fio horizontal e o desejo o vertical. Ao mesmo tempo acontecem a significação simbólica e a capacidade de organização simbólica (p. 67). Assim como transtornos de atenção (que não são o nosso tema, nesta oficina) podem ser confundidos com desinteresse, a recíproca também ocorre: o aluno pode estar desatento por falta de interesse nas atividades escolares. Esta pode ser motivada por causas externas ao ambiente escolar (problemas familiares, por exemplo), como também por uma falta de sintonia entre a metodologia utilizada na escola e a forma de a criança aprender. Este fator é muito comum em nossa época, quando jogos eletrônicos condicionam as crianças a obter respostas imediatas e à satisfação gerada pela competitividade. Por outro lado, principalmente na rede privada de ensino, o sistema de avaliação em vigor tem gerado a falsa premissa de que a educação básica tem por objetivo preparar o aluno para a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Há uma tendência de desconsiderar o prazer por aprender algo novo e tornar o ambiente escolar, desde a alfabetização, em um lugar de realização de exercícios descontextualizados e às vezes até mesmo exaustivos.

2.    O processo de desenvolvimento da escrita
Alguns “erros” dos alunos consistem, na verdade, em características da evolução da escrita.  A linguagem escrita, em seus primeiros estágios de desenvolvimento, apoia-se na linguagem oral. Na fase do fundamental, a linguagem oral funciona como apoio, um elo intermediário para a aprendizagem da leitura e da escrita. A principal função da escola no processo da escrita do aluno é de desenvolver ao máximo a competência da leitura e interpretação. O processo de criatividade que irá compor o desenvolvimento da escrita é composto pelo contexto do aluno e todas as disciplinas que estuda.

3. O processo de aprendizagem da matemática e disciplinas complexas
 É possível, portanto, que uma dificuldade na matemática signifique a falta de um conhecimento prévio. Há, também, casos de dificuldades que envolvem outras áreas de conhecimento. É o que acontece, por exemplo, quando o aluno não consegue resolver problemas matemáticos porque tem dificuldade na interpretação de textos. Algumas estratégias pedagógicas para favorecer o processo de aprendizagem de alunos com dificuldades são:

Desenvolver pequenos projetos: despertar a curiosidade dos alunos por algum tema, ou assunto. Solicitar que pesquisem e criem algo sobre ele. Elaborar algum produto com as pesquisas, como painel, exposição, dramatização, telejornais.
Tornar o material didático mais acessível: algumas pequenas acomodações no material didático podem tornar os textos mais atraentes e também mais fáceis de serem compreendidos pelos alunos com dificuldades, como, por exemplo, usar fonte 14 sem, usar ilustrações para reforçar o sentido dos textos, ensinar o aluno a localizar e sublinhar as palavras que indicam as ações mas importantes em textos e enunciados.
Utilizar material concreto: recursos como material dourado, tabuleiros, atividades com cédulas, mapas e até mesmo os eletrônicos tornam os conceitos mais concretos, facilitando o processo de aprendizagem.
Diversificar: apresentar o mesmo conteúdo de formas diferentes favorece que alunos com dificuldade possam compreender melhor o conteúdo.
Jogos: “O saber se constrói fazendo próprio o conhecimento do outro, e a operação de fazer próprio o conhecimento do outro só se pode fazer jogando.” (FERNÁNDEZ, 1991, p. 165)
As gincanas escolares, competições esportivas e de conteúdo contextualizam e motivam o aluno. Através do jogo é possível, ao mesmo tempo despertar o interesse do aluno e favorecer que construa conhecimentos. As atividades lúdicas podem desenvolver a criatividade e favorecer que o aluno estabeleça vínculos positivos com o ambiente e os conteúdos escolares. É possível desenvolver jogos que envolvam conhecimentos de diversas áreas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para favorecer a aprendizagem de alunos com dificuldade, é importante conhecê-lo, contextualizar e diversificar. A aprendizagem é um processo singular. Cada aluno tem sua própria forma de aprender, ainda que possa ser beneficiado pelo trabalho em grupo. O ensino-aprendizagem, por sua vez, deve ser um processo dialógico. É através do diálogo que o professor conhece o aluno, identifica como ele pensa e, somente assim, pode refletir sobre as modificações necessárias no processo para favorecer seu desenvolvimento. É preciso ajudar o aluno a estabelecer relações entre o conhecimento novo e o que já domina. É importante, também, valorizar o que ele sabe fazer bem, para que desenvolva o sentimento de autovalorização e sinta-se encorajado a enfrentar os desafios.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1991.
PICCOLI, L. e CAMINI, P. Práticas pedagógicas em alfabetização: espaço, tempo e corporeidade.  Erechim: Edelbra, 2012.
WEISS, A. M. L. & CRUZ, M. L. R. da. Compreendendo os alunos com dificuldades e distúrbios de aprendizagem.  Educação inclusiva: cultura e cotidiano escolar. 2. ed. RJ: 7Letras, 2011.
WEISS, M. L. L. Combatendo o fracasso escolar. Obstáculos à aprendizagem e aodesenvolvimento da leitura. In WEISS, M. L. L. & WEISS, A. Vencendo as dificuldades deaprendizagem escolar. RJ: Wak, 2009.

                                                                                        Material do seminário 2016 da UERJ



sábado, 4 de junho de 2016

AUTISMO


É fundamental identificar o autismo logo na infância. O autismo é um transtorno que pode acontecer mais em meninos que em meninas.
As habilidades de uma criança autista podem ser altas ou baixas, dependendo tanto do nível de coeficiente intelectual, como da capacidade de comunicação verbal.

Geralmente não presta atenção ou escuta comandos, parece não ouvi. Não gosta de contato físico, beijos e abraços prolongados.

Uma criança autista tem um “olhar que não olha”, mas que traspassa. No lactante, pode-se observar um balbuceio monótono do som, balbuceio tardio, e uma falta de contato com seu ambiente, assim como de uma linguagem gestual. Não segue a mãe e pode distrair-se com um objeto sem saber para que serve.

Na etapa pré-escolar não fala ou se comunica pouco. Custa-lhe a identificar aos demais. Podem apresentar condutas agressivas inclusive consigo mesma. Outra característica do autismo é a tendência a realizar atividades de maneira repetitiva. A criança autista pode dar voltas como um pião, fazer movimentos rítmicos com seu corpo tal como agitar os braços.

Os autistas com alto nível funcional podem repetir os comerciais de televisão ou realizar rituais complexos na rotina. Na adolescência, fala-se que 1/3 dos autistas podem sofrer ataques epiléticos o qual se faz pensar em uma causa nervosa.

Sinais que podem indicar autismo infantil:

1- Acentuada falta de reconhecimento da existência ou dos sentimentos dos demais.
2- Ausência de busca de consolo em momentos de aflição.
3- Ausência de capacidade de imitação.
4- Ausência de relação social.
5- Ausência de vias de comunicação adequadas.
6- Anormalidade na comunicação não verbal.
7- Ausência de atividade imaginativa, como brincar de ser adulto.
8- Marcada anomalia na emissão da linguagem com afetação.
9- Anomalia na forma e conteúdo da linguagem.
10- Movimentos corporais estereotipados.
11- Preocupação persistente por parte de objetos.
12- Intensa aflição em aspectos insignificantes do ambiente.
13- Insistência irracional em seguir rotinas com todos seus detalhes.
14- Limitação marcada de interesses, com concentração em um interesse particular.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Palestra UNIGRANRIO


Palestra sobre a importância das histórias como ferramenta psicopedagógica
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